Ilusões

Foram tantos os momentos,

Perdidos em ilusões,

Desviados dos caminhos,

Onde eu não estava…  

Fugi dos meus sonhos,

Lamentei o que não vivi,

Calei os meus gritos de revolta,

 Desejei adormecer para a vida. 

Dulcineia  

Um dia…

Aconteceu,

Atordoada, parti sem dor,

Não ouvia, não sentia,

Tudo parou,

Nada existia.

Mas por tempos breves e ignorados

 Entre sonhos confusos e dolorosos,

Vozes desconhecidas,

Cansativas,

Autoritárias,

Gritavam ordens desconexas.

Amargurada,

Sem saber quem era,

Inconsciente partia,

Para um fundo sem luz,

Onde o nada era a tranquilidade,

Que desejava ardentemente.

Acordei na minha realidade,

Estranhei tudo o que vi,

Implorei um espelho,

E não me reconheci.

Foram tantos os momentos,

Perdidos em devaneios confusos,

Percorri caminhos ortodoxos,

Num vazio calmo e sem dor,

Onde eu era o zero e o nada,

Onde eu não ficava,

Onde eu nem vivia…

Dulcineia

 

Eu sou…

001

Sou as lembranças dos meus brinquedos,

As palavras que aprendi,

Os pensamentos que guardei

Os sonhos que vivi.

Sou a saudade que desejei,

O abraço que conheci,

As lagrimas que sufoquei,

A dor da raiva desnudada.

Sou a conversa que não tive,

A emoção que esqueci,

A gargalhada que chorei,

Os beijos que não dei.

Sou o parágrafo pretensioso,

De um livro rebuscado.

Sou gritos sofridos,

De um caminho sumido.

Vivi, Morri e Renasci, 

Sou aquilo que não se vê…

Dulcineia

Páginas Soltas

006

Páginas Soltas,
Pedaços de mim,
Fecham-se portas,
Abrem-se janelas.
A rua é nossa!
Sorrisos de traição,
Punhais invisíveis,
Sentimentos descabidos,
Ruelas infelizes,
Tristonhas,
Amarguradas.
Caixotes de lixo,
Cabelos desgrenhados,
Garras douradas,
Tristes punhais,
Que ferem,
Que matam.
Um adeus sentido,
Um olhar fingido,
Um caminho percorrido,
Desfeito,
Perdido.
Não há adeus!
Dulcineia